Watchmen Versão do Diretor

Quando saí do cinema na estréia de Watchmen, apesar de ter sentido falta de alguns detalhes, confessei a um amigo: “Watchmen assumiu o top de duas das minhas listas: o de melhor filme e o de melhor adaptação de quadrinhos para cinema.”
Agora corrijo minha posição: Watchmen Director’s Cut é o melhor filme! =)
Tá certo. Sou fã da graphic novel desde criança e isso me torna suspeito por ter gostado e estar tão entusiasmado com a adaptação de Snyder.
A versão do diretor com suas 3 horas e 10 minutos corrige algumas frustrações de quem viu o filme no cinema e ficou com cara de “peraí, tá faltando algo aqui”. Mas não são somente cenas extras ou cenas cortadas. Mais que isso, o filme é cheio de detalhes e falas extras que dão mais preenchimento à história, que o aproximam ainda mais do quadrinho (e eu achava que isso era quase impossível).
Pequenos lances de câmera, alguns minutos a mais numa cena, falas mais completas e ainda: cenas que fizeram muito fã tremer de frustração por faltarem na versão do cinema.
SPOILER ALERT!
No cinema, me arrepiei em vários momentos do filme, o funeral do Comediante (uma das melhores cenas, trilha sonora perfeita), Edward Blake matando a vietcongue, Rorschach abrindo a cabeça do sequestrador, Rorschach desintegrado na neve (olhos cheios de lágrimas nessa hora, sério). Na segunda vez que vi o filme, o impacto havia passado. Na terceira vez nada de novo…
Agora, revendo na versão do diretor, os novos detalhes dão nova dimensão e o filme volta a ser impactante. Tremo na base nas cenas-chave novamente. Novas cenas revelam detalhes do filme que ficaram pendurados na primeira versão, mais ainda pra quem não conhecia a história.
Pra não dizer que tudo é uma maravilha, eu continuo sentindo falta de detalhes. Sem falar numa nova cena que poderia ter ficado de fora. O início do filme, na versão do cinema está impecável, é a revista tomando vida. Mas na versão do diretor, Rorschach faz mais do que invadir o apartamento de Blake. Na nova versão, dois policiais aparecem na cena e o mascarado deve livar-se deles, espancando um e deixando o outro pra contar a história, numa cena rápida e uma saída bizarra do Rorschach. Descartável. A cena explica uma conversa com Daniel mais tarde, quando este comenta que Rorschach virou notícia por ter espancado um policial. Ainda assim, a cena não fazia falta.
Ainda falta mais interação com o cara da banca. O carinha que lê os Contos do Cargueiro Negro está lá, aparece mais vezes que na versão do cinema e mostra detalhes da revista do pirata, mas não fala uma palavra sequer. Há uma cena em que o Walter se aproxima da banca pra conversar com o jornaleiro, mas a cena fica nisso, a conversa (em que o jornaleiro pergunta ao Walter quando é o fim do mundo) continua não existindo no filme. A placa The End is Nigh fica sem explicação. E falando em falta de explicação, a sessão com o psiquiatra Walter Long está um pouco maior, mas continua incompleta. O que mais escuto sobre o filme, tanto na versão do cinema quanto na versão do diretor é “porque a máscara dele é assim?”, o filme continua sem explicar, o que deveria ocorrer numa das conversas com o psiquiatra.
“Leave me alone!” Doutor Manhattan grita e ZAZ! Todo mundo vai parar em casa. Pelo menos na revista é assim. No cinema vem o super corte: Manhattan vai pra Marte. Susto no cinema. Deu pra ouvir uns sussurros. Na versão do diretor… vamos dizer que ficou menos pior. Depois do grito, tomos somem, ele continua no estúdio, como no quadrinho. Tem ainda Hollis Mason mostrando Manhattan na TV pra Daniel, como manda o roteiro, mas então… a faca volta. Manhattan vai pra Marte mesmo sem antes passar no Gila Flat.
Ah sim! Curiosidade: Você que viu o filme e conhece o quadrinho, percebeu que após resgatarem os moradores do cortiço Espectral está guardando alguns copos na nave do Coruja? Pois é, você deve lembrar que após o resgate, enquanto estão todos no Arqui, a dupla serve cafezinho pros resgatados. No filme, mesmo na versão do diretor, nada de coffee brek a bordo do Arqui. Imagino que a cena tenha sido filmada, senão fica sem sentido mostrar espectral guardando os copos sem a cena… ou então foi só um pequeno detalhe para os fãs.
No geral, as novas cenas que fazem a diferença nesta versão são, principalmente, o assassinato de Hollis Mason, com uma ótima cena de luta; Coruja e Rorschach buscando pistas no bar, onde Daniel fica sabendo da morte de Hollis e espanca um membro da gangue; mais detalhes na conversa entre Manhattan e Espectral em Marte, umas duas cenas rápidas que mostram claramente o garoto lendo o gibi Contos do Cargueiro Negro (ainda que sem muito destaque). Algumas cenas violentas como o Rorschach exercitando o braço com um machado ou a tentativa de assassinato de Veidt foram ampliadas ou trazem mais detalhes. Isso mesmo, mais sangue, mais pedaços de carne humana voando. E mais uma vez: em quase todas as cenas, há novos detalhes, alguns segundos a mais de cena, mais diálogo…
Diz-se que há uma outra versão mega-ultra-fodona que incluirá o desenho animado Contos do Cargueiro Negro no enredo do filme (como no quadrinho) e com mais cenas. Se isso for verdade, é mais uma chance de acertar os detalhes que ainda faltam.
Entre as melhorias e as tentativas de melhoria, a versão Director’s Cut é super recomendada. Até mesmo para quem ainda não viu o filme, minha indicação é que deixe de lado a primeira versão e veja esta versão mais completa.
É isso.













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